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 Borderline, a extremidade sentimental


Instabilidade emocional, a palavra mais certa para este transtorno. Afetos e comportamentos confusos e incompreensíveis esta é a realidade de um borderline. Consideráveis prejuízos e alto risco de suicídio. Border, estar na linha, na borda.


Este transtorno talvez seja um dos mais complicados, possuem grande dificuldade em concluir tarefas e instabilidade emocional, muita crises de identidade e muitas vezes acompanhadas de automutilações e ferimentos, abuso de drogas e psicotrópicos. Suas relações amorosas são baseadas na intensidade em tudo, assim como alternâncias na alegria e tristeza aos extremos.

 

São pessoas conhecidas por comportamentos impulsivos e às vezes agressivos. O borderline tem dificuldades vindas de uma infância desorganizada mentalmente, assim como a inconstância no apego com os pais, este visto como segurança e em outros momentos como ameaçador e medo.


Na maioria dos casos de borderline os pais eram punitivos, tiveram alguma experiência traumática ou ouve erro de processamento de pensamento. Estes traumas desencadeiam uma vida cheia de esforços para evitar o abandono seja real ou imaginário.

A impulsividade é um dos grandes alertas, pois podem desencadear vícios e até comportamentos perigosos, as perturbações de identidade e de sentimentos, faz com que suas reações sejam imprevisíveis. Os afetos geram muita ansiedade e irritabilidade, mudando seu humor de um momento para outro. Sentimentos de vazio se tornam crônicos por serem intensos, aumenta o apego sufocando o outro, ou ao extremo se torna raiva.

 

O excesso de emoções do borderline pode liberar opióides, uma espécie de analgésico natural que o corpo produz, capaz de diminuir a dor durante as mutilações em momentos de alta tensão emocional. O corpo fica condicionado a liberar este analgésico em todos os momentos que se sentir tenso, fortalecendo o comportamento repetitivo de automutilação.


De acordo com a terapia cognitiva comportamental, o borderline possui frequentemente pensamento do tipo tudo ou nada, designado como pensamento dicotômico, visto como um erro cognitivo.

O que a terapia cognitiva comportamental oferece é organizar quais são os fatores ameaçadores, questões de risco e todo o processamento de erros de pensamento que podem ser trabalhados em terapia.
Desde que ocorra a colaboração do paciente, pode-se conseguir identificar os desencadeadores de situações estressoras e ressignificar momentos novos.

 

Muitas vezes o borderline se envolve com parceiros que partilham dos esquemas do transtorno, mantendo um relacionamento instável e em constante conflito. Como isso pode modificar comportamentos e alterar até a dinâmica do relacionamento, pode ser necessário terapia de casal ou individual do parceiro, para que quebre o circulo vicioso e assim realizem novos comportamentos frente a conflitos.

 

Por Cleunice Paez